"O Studium Musicae– Ateliê de Música Histórica é, seguramente,
um dos mais importantes grupos de Música Antiga do país"
Tudo se iniciou em 1981, quando a gambista Eunice Brandão criou o Conjunto Renascentista de Curitiba, com apoio da Fundação Cultural de Curitiba, do maestro e cravista Roberto de Regina e da cravista Ingrid Serafim. Era um grupo relativamente grande, com cerca de 10 pessoas no palco, formado por jovens que traziam em comum a paixão pela música de um tempo muito distante: a que existiu entre os anos 1500e 1700. Os concertos do Conjunto, a maioria deles no Teatro do Paiol, eram concorridos e, além da qualidade musical traziam como novidades o repertório, ouso de instrumentos musicais incomuns e – o que era uma sensação nos longínquos anos 80 – o fato dos músicos estarem no palco vestidos com réplicas de roupas de época. Propunha-se ao público que viajasse no tempo!
No segundo semestre de 1983, o Conjunto Renascentista passou a se chamar Studium Musicae. A mudança de Eunice Brandão para a Europa acelerou a mudança, que na prática significou um mergulho do grupo na Música Medieval, anterior a Renascença. O grupo gravou em 1985 o LP “As Cruzadas”: o primeiro dedicado integralmente a música medieval em todo país. E foi decisivo para a criação de importantes festivais organizados em Curitiba, que transformaram a cidade em centro da Música Antiga no país.
Em 1987, o Studium fez sua primeira parada e retornou em 1990 com nova formação, o que perdurou até 1994, quando realizam uma turnê pelos Países Baixos. O grupo era a época um quinteto, já não se apresentava com roupas de época, mas trazia em si uma novidade em alguns arranjos musicais: a inclusão de músicas populares do século XX no repertório. A música dessa época foi registrada no CD “HollandTour”, gravado em uma pequena igreja em Thesinge.
A história dos grupos tinha se encerrado aí, até que em 2022 o produtor Alvaro Collaço propôs o CD triplo “Tríptico”, que trouxe gravações das formações de 1981 a 1994 e foi então um reencontro dos músicos para o lançamento, na Capela Santa Maria em abril de 2022.
Foi do reencontro que renasceu no flautista Flávio Stein, no flautista e harmonista Plínio Silva, no violista Júlio Coelho e em Angelo Esmanhotto e Sergio Silvestri – músicos que não atuam mais com o Studium – o desejo de voltar com o grupo.
Nasceu assim o Ateliê de Música Histórica que, de imediato, proporcionou outro retorno ao mundo da música, do cantor e gambista Norberto Pavelec, que lá em 1981 foi um dos primeiros a entrar no Renascentista. E vieram ao grupo músicos de outra geração: o percussionista Fábio Mazzon, as cantoras Daniele Souza e Márcia Kaiser Carraro e o multi-instrumentista Mateus Sokolowski.
O grupo teve ainda, especialmente em 2025, dois momentos raros: o documentário “Música Inesperada”, dirigido por Neni Glocke que conta toda a trajetória do grupo e a turnê pelo Estado do Paraná, com concertos em Curitiba, Londrina, Maringá, Paranaguá, Cascavel, Guarapuava, Foz do Iguaçu e São José dos Pinhais. A turnê foi possível com o incentivo da Secretaria da Cultura do Estado do Paraná, por meio do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura – Profice – e da Copel, e foi idealizada e produzida por Alvaro Collaço.
Na turnê o Studium Musicae mostrou o programa “Rotas da Seda”, uma proposta que gerou reflexões para além da música. Se no passado, antes da sua retomada em 2022, o grupo se dedicou à música histórica europeia, agora incluiu nas suas apresentações música oriental – chinesa e japonesa, inclusive –, valorizando a compreensão do quanto já era sonora a terra em tempos antigos.
O concerto foi um mosaico de estilos, considerando as línguas e a cultura de cada região e uso de diferentes instrumentos. E foi um encontro do grupo com um novo público que nasceu nestas décadas.
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Studium Musicae – Ateliê de Música Histórica
Daniele Oliveira: voz
Fábio Mazzon: percussão
Flávio Stein: flautas, xiao
Júlio Coelho: vièle, rabeca
Marcia Kaiser: voz
Mateus Sokolowski: viela de roda, bouzouki, bandolim
Norberto Pavelec: voz, vièle
Plínio Silva: harmonium, flautas
Direção Geral: Flávio Stein & Plínio Silva
Transcrições: Plínio Silva
Transcrições fonéticas: Norberto Pavelec e Marcia Kaiser